A inteligência artificial voltou a provocar uma baita discussão sobre os limites do uso de obras artísticas e a proteção dos direitos autorais! Desta vez, o caso envolve o legado de Elvis Presley, um dos nomes mais importantes da história do rock, e a Anthropic, empresa responsável pelo chatbot Claude.
Os herdeiros do cantor entraram com uma ação judicial contra a companhia, exigindo uma indenização de US$ 41 milhões, valor que corresponde a aproximadamente R$ 218.903.100 na cotação atual. Eita!
A informação foi publicada pelo jornal espanhol El País nesta segunda-feira (26). Segundo a reportagem, a família alega que 274 músicas de Elvis foram utilizadas sem autorização para alimentar modelos de inteligência artificial. A disputa coloca em evidência uma questão cada vez mais presente na indústria cultural: até onde empresas de tecnologia podem ir ao utilizar conteúdos protegidos por direitos autorais no desenvolvimento de suas ferramentas?
A Anthropic, por sua vez, contestou as acusações e afirmou que pretende se defender judicialmente. Até o momento, portanto, as alegações apresentadas pelos herdeiros devem ser tratadas como parte de uma disputa ainda sujeita à análise da Justiça.
De acordo com o El País, a ação foi apresentada na sexta-feira (23), na Corte Distrital do Norte da Califórnia, nos Estados Unidos. Além de exigir o pagamento da indenização milionária, os representantes do legado do rei do Rock querem que o caso seja levado a julgamento.
O valor reivindicado corresponde a US$ 41 milhões, quantia que, segundo a reportagem, foi calculada com base no uso supostamente irregular das canções. A família busca responsabilizar a empresa pela utilização das obras sem a devida autorização.
A discussão não se limita, porém, à reprodução de músicas ou à circulação de gravações na internet. O ponto central da acusação é o suposto uso dessas composições no treinamento de modelos de inteligência artificial, tecnologia que depende do processamento de grandes volumes de conteúdo para desenvolver suas capacidades.
Outro ponto levantado pelos herdeiros envolve o Claude, chatbot desenvolvido pela Anthropic. Segundo o processo, a ferramenta teria sido utilizada para contornar mecanismos de proteção relacionados às músicas de Elvis Presley, além de apagar ou modificar informações referentes à gestão dos direitos autorais das obras.
Em trechos da ação reproduzidos pelo El País, os representantes do legado do cantor demonstram preocupação com os efeitos desse tipo de prática sobre a indústria criativa. A argumentação é de que os direitos exclusivos dos titulares precisam ser respeitados diante de modelos de negócios que, segundo os autores do processo, podem se beneficiar de conteúdos protegidos em larga escala.
Entre as canções mencionadas na reportagem do El País estão três sucessos conhecidos do repertório do Rei do Rock: All Shook Up, Can't Help Falling in Love e Return to Sender.
As músicas integram o legado artístico de Elvis, cuja obra continua presente na cultura popular décadas após o auge de sua carreira. A disputa evidencia como a expansão das ferramentas de inteligência artificial pode alcançar catálogos musicais históricos e levantar dúvidas sobre a utilização de obras cujos direitos permanecem protegidos.
O processo envolvendo os herdeiros de Elvis Presley não é o primeiro enfrentado pela Anthropic em razão de acusações relacionadas a direitos autorais musicais.
Segundo o El País, em janeiro de 2026, a Universal Music Group também moveu uma ação contra a empresa, exigindo US$ 3 bilhões. Na ocasião, a companhia acusou a Anthropic de desenvolver o Claude com base em bibliotecas musicais pirateadas.
A existência de processos distintos demonstra que o uso de conteúdo protegido por direitos autorais no desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial se tornou um tema de disputa entre empresas de tecnologia e representantes da indústria musical.
Ainda assim, cada caso precisa ser analisado de acordo com suas próprias alegações, provas e circunstâncias. A ação dos herdeiros de Elvis Presley busca discutir especificamente o uso de 274 canções atribuídas ao legado do artista, enquanto o processo mencionado envolvendo a Universal Music Group tem suas próprias reivindicações.